No Brasil

ANOS 80

MORUMBI 1981 – Queen pela primeira vez no Brasil

O Queen esteve no Brasil antes do Rock in Rio, em 1981 em São Paulo, mas nada se compara ao show do Rio, ou melhor, cada show do Queen é um marco, onde quer que seja, veja abaixo algumas informações sobre o “Queen no Morumbi”.

Estádio do Morumbi
queen81sp– Morumbi, Março de 1981
O Queen em sua turnê pela América Latina pousou em 1981 na terra do carnaval pela primeira vez, como Freddie mesmo disse em entrevistas que faria no show o que ele chamou de “Queen Carnival”. Desde 1981 a banda já queria tocar no Rio de Janeiro, mais precisamente no Maracanã, e pasmem, de graça! ou melhor o que eles cobrariam iria para o então ano do deficiente físico (1981), pena que a apresentação foi vetada e eles tiveram que voltar para casa mais cedo.
– Rock, luzes e muita emoção

Quem esperava um atraso de pelo menos meia hora para o início do show acabou ficando surpreso e perdeu a entrada triunfal do grupo QUEEN no Morumbi. Britanicamente, Roger Taylor, Freddie Mercury, Brian May e John Deacon iniciaram o primeiro grande concerto de rock no Brasil exatamente no horário previsto. Sob luzes azuis, amarelas, verdes e vermelhas, dez canhões de fachos brancos que se alternavam durante o espetáculo, ruídos siderais que mais lembravam uma nave espacial em decolagem, os quatro integrantes do grupo despontaram no palco, entre nuvens densas de gelo seco, para delírio geral dos mais de 200 mil jovens que lotaram o estádio.

morumbiNeste momento as dezenas de faixas e cartazes confeccionadas por grupos de fãs foram agitados freneticamente, saudando seus grandes ídolos: “We love you”; “We like banana and rock”; “Queen: kings of quality rock” escritas em corretíssimo inglês eram frases que se destacavam na multidão. Desde seu início, o show já dava mostras de reunir todos os ingredientes fundamentais para um agitado acontecimento, durante duas horas de intensos embalos. O profissionalismo da equipe de produção, a sofisticada parafernália eletrônica, os requintes dos efeitos visuais, uma infra-estrutura jamais vista no Brasil em shows, os 140 mil watts da aparelhagem não falharam um único momento, davam o suporte para que o baixista John Deacon, o guitarrista Brian May, o baterista Roger Taylor e o cantor Freddie Mercury mostrassem porque são capazes de lotar estádios de futebol. Desfilaram seus maiores sucessos, mostraram sua técnica vocal e instrumental em rocks pesados, baladas e canções românticas, alternando momentos de lirismo com outros de alta vibração, fazendo o público cantar as letras completas de quase todas as músicas. We Will Rock You abriu o espetáculo com o cantor e também instrumentista Freddie Mercury instigando a platéia a participar intensamente da festa.

john80s2Em português ele saudou a todos: “Alô, São Paulo, como vai, tudo bem?” ensaiando seus gestos largos, os saltos de felino, uma presença cheia de energia até a última música. Estrela do grupo, Mercury acabou se tornando, na verdade, alvo das fãs mais ardorosas. Bem diante do palco elas gritavam seu nome, fotografavam-no, quase desmaiavam de emoção e só não subiram ao palco porque ele estava montado a mais de dois metros de altura. Até mesmo duas policiais femininas procuraram um lugar melhor para admirar sua performance, enquanto policiais à paisana se incumbiam de reprimir alguns excessos. Pelo que se viu do concerto de sexta-feira, todos saíram satisfeitos do Morumbi. Até o momento em que tiveram de enfrentar os ônibus lotados num terrível congestionamento na saída do show.

Folha de S. Paulo do dia 21/03/1981

 

ROCK IN RIO

1985 – A grande atração do Rock In Rio!

– Rio de Janeiro, Janeiro de 1985
Os shows foram realizados no Rio de Janeiro, nos dias 12 e 19 Janeiro de 1985.

 

– Queen sensação do Rock in Rio
Queen é a “sensação” do grande Rock In Rio Festival. Embora o Festival dure apenas 10 dias, o Queen se apresenta em apenas 2 noites, nos dias 12 e 19. As bandas que “esquentam” para o Queen são Iron Maiden e The Go Go’s e B52’s para a segunda. Um público estimado entre 250 mil e 300 mil pessoas, assistiram a cada show, que mais tarde foi mostrado pela TV Globo em toda América do Sul, assistido por quase 250 milhões de pessoas. O Queen assumiu o palco às 2 da manhã nas duas apresentações. “Rock In Rio Blues” é semelhante à uma improvisação no piano anteriormente tocada na Europa, mas foi reescrita para incorporar a letra exclusivamente ao público sul-americano. A introdução de Brian para “Love Of My Life”: “Vocês querem cantar conosco? Certo! Bem, esta é especificadamente para vocês: eu tenho que dizer-lhes que esta música é muito especial para os sul-americanos e nós os agradecemos muito por fazê-la especial no restante do mundo. O nome é “Love Of My Life”. Freddie começou a cantar, mas o público estava ancioso para mostrar seu mais novo vocabulário inglês e quase não o deixaram cantar antes de ele os permitir continuar com as música sem sua ajuda. Freddie fica visivelmente comovido assim como todos no palco. Ele os jogou um beijo e Brian resalta: “Vocês cantam muito bem!” Quando Freddie pára de cantar para deixar Brian começar sua parte solo, brados de “BRIAN… BRIAN… BRIAN…” preenchem o estádio repleto. Foi a vez de Brian engolir o “nó na garganta”. Depois, ele incorporou partes da música “Let Me Out”, do seu projeto solo de 1983, em sua guitarra. Quando Freddie apareceu de peruca e bobs para cantar “I Want To Break Free”, há uma resposta semelhante em toda América do Sul. Nesta hora, meio que preparado para a reação, ele riu e descatou ofensas e ainda falou: “Eu deveria ter sido apedrejado como a Rainha de Sheba mas não vou tirar meus bobs para ninguém”. Seguindo ‘Rock You’ , Freddie surge segurando uma enorme bandeira da Union Jack sobre sua cabeça. Ele anda até a frente do palco e dá um giro de 180º para mostrar o símbolo britânico do outro lado. Duzentas mil pessoas aplaudem o gesto de Freddie então, a joga para o público. Um dispositivo de fogos de artifício disparam enquanto toca “God Save The Queen”. Enquanto isso, a banda corre para seus carros para sua tradicional rapidíssima saída. Além da cobertura do festival pela TV Globo, o segundo show do Queen é filmado com a intensão de ser inserido em vídeo, se tudo correr bem – como está. Um vídeo de 16 faixas será lançado dia 13 de maio de 1985. Enquanto o Queen estiver no Brasil, a EMI promoverá outra grande festa em sua homenagem. É para ser em volta da piscina que dá para ser vista da suíte de Freddie, no Copacabana Palace Hotel. Todos os artistas do festival são convidados e muitos aceitaram. Do outro lado, na praia perto do hotel, fãs locais aproveitam a festa deles mesmos; colocam 500 velas acesas na areia formando o nome da banda. Brian ouve falar do acontecimento, e junto com sua filha, deixam a “festa oficial” para se juntar aos fãs. O gesto foi muito apreciado.

Galera que foi curtir o show mais a foto do Brian em Copacabana junto aos fãs

Brian em Copacabana junto aos fãs

– “Majestade”
Freddie Mercury deu fricote ao chegar à Cidade do Rock e encontrar o corredor cheio de plebeus (Erasmo Carlos, Elba Ramalho e outros astros da MPB que esperavam para vê-lo). Entra em cena para segurar o pepino, o bravo Amin Khader, responsável pelos camarins – que, àquela altura, já havia tratado de acender o saquê a 20 graus, para fazer a vontade de Sua Majestade. Travou-se então o seguinte diálogo: Freddie: “Quem são estas pessoas?” Amim: Grandes artistas brasileiros, gente do mesmo gabarito que você”. Freddie: “Não podem ser do mesmo gabarito que eu. Porque eles me conhecem, e eu não os conheço!” Sua Majestade, então, do alto de seu posto de líder do grupo que estava cobrando o cachê mais caro do evento (cerca de U$600.000,00), exigiu que todos saíssem do caminho ou voltava para o hotel.A duras penas, Amin conseguiu que cada um entrasse em seu camarim. Porém, as portas permaneceram abertas. À passagem, de Freddie, ouvia-se o inevitável coro de “Viado!”. Freddie então perguntou: “O que eles estão gritando?!”. Amin: “Estão te elogiando…”. Freddie: “É mentira!”. Passado, Freddie entrou em seu camarim. Minutos depois saiu e procurou Amin. “No Brasil tem furacão?”, perguntou. Ao ouvir a negativa, Sua Majestade retrucou: “Pois acabou de passar um por aqui!”. “Quando entrei”, conta Amin, “estava tudo virado! A bicha tinha botado o camarim de pernas pro ar. Tinha mamão papaya até no teto!”.
– Ano de 1985 para o Queen
O Queen entrou em 1985 de malas prontas para o Brasil, para fazer dois shows na primeira edição de um dos maiores festivais de todos os tempos, o “Rock in Rio”. A primeira noite de apresentação da banda, no dia 12 de janeiro, teve como atrações internacionais como Whitesnake e o Iron Maiden, que tocou antes do Queen. Um número de quase 300 mil presentes assistiu à apresentação do Queen, que foi filmada para um home vídeo.
Após o show, Freddie entrou em prantos em seu camarim devido a uma recepção não muito agradavel a sua performance peituda de “I Want To Break Free”, onde a banda se viu alvo de pedras, latas e tudo mais que se pudesse jogar ao palco.
De volta ao hotel, todos viram se reunidos em uma festa promovida pela gravadora EMI, com muitos artistas presentes tais como: AC/DC, Yes, Ozzy Osbourne,etc. Com certeza o Queen era a banda mais popular do momento e todas as atenções foram voltadas para seus integrantes.

– Mais informações sobre o Rock In Rio:

“ROCK IN RIO I”

UM SONHO QUE SE TORNOU REALIDADE.

Dia 11 de Janeiro de 1985, quando a Cidade do Rock abriu os seus portões para 1.380 mil pessoas – o equivalente a cinco Woodstocks – ninguém imaginava que o sonho idealizado por Roberto Medina se transformaria no maior evento de rock de todos os tempos. Pela sua organização impecável, pelo seu altíssimo astral, pelo cuidado com que foi realizado nos mínimos detalhes: da construção da Cidade do Rock às grandes bandas internacionais.

Patrocinado pela Brahma, mais que um simples festival de rock, o Rock in Rio I, além de colocar o Brasil na rota dos grandes shows internacionais, mostrou que a harmonia era possível. Foram 10 dias, 90 horas, 5.400 minutos de muita música e muita emoção. “Todos numa direcção, uma só voz, uma canção”, como diz a música tema do evento.

A GEOGRAFIA DE UMA CIDADE COM 1.380 MIL HABITANTES

Construir uma cidade num terreno de 250 mil m2, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, não era tarefa fácil. Para nivelar o terreno, foram necessários 77 mil camiões! Essa matemática de números estratosféricos foi, aliás, a marca registada do Rock in Rio I. O palco – com 5 mil metros quadrados – tinha 80 metros de boca de cena + 3 palcos móveis. Dentro da Cidade do Rock, 2 “hospitality centers”, 2 gigantescos “fast foods”, 2 “beer garden”, 2 “shopping centers” com 50 lojas e 2 helipontos.

Para a época, a iluminação trazia para a Cidade do Rock a última palavra em tecnologia. Todo o sistema funcionava ligado a 2 computadores, o que resultou num fantástico movimento de luzes e cores. Isto há 17 anos! Era energia suficiente para iluminar uma cidade de 180 mil habitantes. Aliás, foi no Rock in Rio I que, pela primeira vez num show de rock, a plateia foi iluminada. E foi um espetáculo à parte.

A MATEMÁTICA DOS NÚMEROS DO ROCK IN RIO I

Os parceiros que colocaram as suas marcas na Cidade do Rock tiveram um retorno extraordinário – de visibilidade e de vendas. Durante os 10 dias do evento foram consumidos:

1.600.000 litros de bebidas em 4 milhões de copos
900.000 sanduíches
7.500 quilos de macarrão
500.000 pedaços de pizza
800 quilos de gel para cabelo

O Mc Donald’s vendeu – num só dia – 58 mil hamburgers e entrou para o Guiness Book of Records. Este ainda é o seu recorde de vendas até hoje.
Na época do festival, foram vendidas 1.900.000 camisolas do evento em todo o país.

ARTISTAS INTERNACIONAIS
ACDC, All Jarreau, B52, George Benson, Go Go’s, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne, Queen, Rod Stewart, Scorpions, White Snake e Yes.

ARTISTAS NACIONAIS
Alceu Valença, Barão Vermelho, Blitz, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, Kid Abelha, Lulu Santos, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Pepeu Gomes e Rita Lee

ANOS 2000

2008

São Paulo

Quando foi: quarta (26) e quinta (27), às 22h
Onde: Via Funchal, R. Funchal, 65, Vila Olímpia, tel. (11) 3188-4148

Rio de Janeiro

Quando foi: sábado (29), às 22h
Onde: HSBC Arena, Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca

Queen e Paul Rodgers falam sobre os shows no Brasil

Banda se apresenta quarta (26) e quinta (27) em SP e sábado (29) no Rio.
‘Nosso reencontro foi um acidente feliz’, diz o guitarrista Brian May.

“Não mudamos nada nesse novo disco. Estou velho demais para mudar”, explicou o guitarrista Brian May, integrante original do Queen, em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (25) em São Paulo. Liderado pelo cantor Freddie Mercury, o Queen ficou famoso mundialmente nos anos 70 e 80 graças a hits como “We will rock you”, “I want to break free” e “Radio Ga Ga”. Com a morte do vocalista, em 1991, May e o baterista Roger Taylor decidiram dar continuidade às atividades do grupo.

Em 2005, o roqueiro Paul Rodgers – ex-Bad Company – foi convidado a atuar como vocalista. O trio lançou em setembro deste ano seu primeiro álbum de inéditas, “The cosmos rocks”. É esse trabalho que a banda traz ao Brasil em sua turnê mundial, que passa por São Paulo nesta quarta (26) e quinta (27) e pelo Rio de Janeiro no sábado (29). “Nesta nova fase, nada foi planejado”, dissse May. “Decidimos esperar para ver como seria a química entre nós três.”

Questionado sobre a possibilidade de mudar o nome do grupo, uma vez que apenas dois integrantes fazem parte da formação original, o guitarrista respondeu com bom humor: “Não faria sentido nesse momento fingir que não temos um passado. Queria saber a opinião de vocês sobre como deveríamos nos chamar. Pensei em Beatles, mas não sei se fica legal.”

Segundo o baterista, “Paul Rodgers foi a escolha ideal para assumir os vocais”. “Ele não tentava ser Freddie Mercury, e era um dos cantores favoritos dele”. “Para mim, é um desafio muito excitante”, completou Rodgers. “Eles são músicos excepcionais e o repertório é muito amplo.”

“Nós tocamos muito melhor hoje”, disse Paul Rodgers. “Os shows dessa turnê são muito completos, com diversas mudanças de clima. É uma apresentação longa, mas parece que passa rapidinho.”

Os músicos se lembraram de quando tocaram em São Paulo em 1981. “Foi um momento memorável, o público foi fantástico. Foi um desafio muito grande, afinal, era uma platéia imensa e apenas nós quatro no palco.”

Os integrantes falaram ainda sobre a ausência do baixista John Deacon, que não faz parte da banda em sua fase atual. “Sentimos a falta dele, mas respeitamos a sua escolha.”

Queen volta ao Brasil após 23 anos e conquista São Paulo

Queen e Paul Rodgers incendeiam platéia durante show em São Paulo

Por Fernão Silveira – Publicado em 03/12/08 no Whiplash.net

Emocionante, inesquecível, antológico… Nem mesmo esses adjetivos são suficientes para descrever o show que QUEEN e PAUL RODGERS proporcionaram ao público de São Paulo em duas datas (dias 26 e 27 de novembro), na Via Funchal — casa que foi completamente tomada por um público fiel e caloroso, ao ponto de quase provocar lágrimas no guitarrista Brian May em diversas passagens das 2h30 de espetáculo.

É fato que este não é o QUEEN de shows memoráveis em solo brazuca na primeira metade dos anos 80. Também é verdade que, se prestarmos atenção, esta é apenas a metade do QUEEN que conquistou o respeito e a devoção de milhões de fãs pelo mundo afora. Mas nem as ausências de Freddie Mercury (morto pela Aids há 17 anos) e John Deacon (que decidiu não seguir May e Roger Taylor nesta nova jornada) seriam capazes de estragar esta esperada turnê pelo Brasil.

Aliás, não se pode dizer que Freddie Mercury esteve exatamente ausente nos shows. Nem o público ou sua antiga banda, incluindo Paul Rodgers (de quem Freddie era fã assumido), deixaram que o inigualável frontman fosse esquecido. Mais um mérito do QUEEN, por sinal, foi “garantir a presença” do genial cantor entre nós. Seja nas muitas cenas exibidas no telão ou nas camisetas dos fãs, Freddie estava lá. Tanto é verdade que ele – no telão – cantou “Bohemiam Rhapsody” do começo ao fim, num dueto sobrenatural com Paul Rodgers.

Pontualmente às 22h, as luzes da casa se apagaram para que o telão em alta definição do palco começasse a exibir cenas e sons de uma chuva de meteoros. Tempestade esta que abria uma noite realmente estrelada, iluminada pelo brilho de May, Rodgers e Taylor. Aos primeiros acordes de “Hammer to Fall”, todos ali já sabiam que seriam testemunhas de uma noite para entrar na história.

Talvez nem Paul Rodgers, acostumado a grandes platéias em sua brilhante carreira pré-QUEEN, à frente de FREE e BAD COMPANY, tivesse dimensão exata da sinergia única entre aquela banda e seus admiradores brasileiros. A vibração, a energia e o respeito mútuo entre fãs e artistas tornavam a atmosfera realmente diferente. Um tipo de magia que é difícil de descrever para quem não a viu e sentiu…

“Hammer to Fall” abriu uma sequência de rocks energéticos, que aqueceu o público durante a primeira parte do show. Até “C-lebrity” e “Surf’s Up… School’s Out”, do disco novo (“The Cosmos Rocks”), foram bem recebidas pelo público. A pauleira só deu lugar a um clima a**stico quando Brian May chamou ao centro do palco o amigo Paul Rodgers, que tomou o violão para executar a sua “Seagull”. Bonita canção, mas nada igualável ao que viria logo depois…

Quando May retornou ao palco sozinho, apenas com um violão em punho, todos já sabiam qual seria a próxima música. “Boa noite, São Paulo. Vocês estão gostando?”, perguntou o sempre simpático guitarrista, num português muito ensaiado. Emocionado, já em inglês, ele anunciou: “Agora nós vamos cantar a música que vocês inventaram”. Aos primeiros acordes de “Love of My Life”, a Via Funchal veio abaixo. Não é preciso dizer que May nem precisou cantar, pois o público se encarregou disso.

Terminada a música, visivelmente emocionado, May se derreteu: “Eu sei que posso ser punido por falar isso, mas vocês são os melhores cantores do mundo. Não sei o que acontece, mas vocês, da América Latina, do Brasil, são especiais. Nós realmente amamos vocês!” É claro que o público respondeu à altura, ovacionando May.

Mas a emoção estava longe do fim. O set a**stico teve seqüência com “’39″, já com Roger Taylor e os demais integrantes da banda (um guitarrista, um baixista e um tecladista) no palco. O show, a partir daí, ficou por conta de Roger Taylor. O brilhante baterista encantou ao tocar percussão num contrabaixo elétrico – desculpe, mas é impossível descrever o que ele fez – e solar numa bateria enquanto ela era montada pelos roadies. Para fechar, nada menos do que o hino “I’m In Love With My Car”. Simplesmente perfeito!

Outra seqüência matadora, que começou com “A Kind of Magic” e terminou na nova “We Believe”, culminou em mais um show individual, desta vez protagonizado por Brian May. O guitarrista esbanjou em seu solo, baseado em “Brighton Rock” (música de abertura do álbum “Sheer Heart Attack”), e mostrou por que é um músico imitado por muitos e admirado por todos. Mas tinha mais: Freddie voltou ao telão para brincar com a platéia, que fez questão de reagir como se ele estivesse ali, em pessoa (e alguém duvida que ele não estava?). Lindo.

A parte final do show também foi inesquecível: “Under Pressure”, “Radio Ga Ga”, “Crazy Little Thing Called Love”, “The Show Must Go On” (arrepiante) e, por fim, “Bohemiam Rhapsody”, que contou com uma participação mais do que especial de Freddie Mercury (sempre ele). A pausa para o falso final veio bem a calhar, pois ajudou o público a retomar o fôlego. Ainda faltava o bis.

A empolgante “Cosmos Rockin’” reacendeu a galera, que manteve a chama ardendo para a execução de “All Right Now”, música de Paul Rodgers em seus tempos de FREE. Para encerrar, como era de esperar, a infalível dobradinha “We Will Rock You” e “We Are the Champions”, duas canções que saíram do álbum “News of the World” (de 1977) para a eternidade. Um final mais do que perfeito.

A passagem do QUEEN por São Paulo provou que, apesar do ceticismo de muitos radicais, a magia continua, mesmo sem Freddie e Deacon (ou “Deacky”, como gostam de dizer May e Taylor). E quem duvidava da capacidade de Paul Rodgers, certamente deu o braço a torcer. Por isso, resta-nos desejar longa vida à Rainha e sonhar por uma nova passagem pelo Brasil.

QUEEN + PAUL RODGERS – Via Funchal (São Paulo) – 26 e 27/11/2008

Set list:
Hammer to Fall
Tie Your Mother Down
Fat Bottomed Girls
Another One Bites the Dust
I Want It All
I Want to Break Free
C-lebrity
Surf’s Up… School’s Out
Seagull
Love of My Life
’39
Drum Solo (Taylor)
I’m In Love With My Car
A Kind of Magic
Say It’s Not True
Feel Like Making Love
We Believe
Guitar solo (May)
Under Pressure
Radio Ga Ga
Crazy Little Thing Called Love
The Show Must Go On
Bohemiam Rhapsody
(bis)
Cosmos Rockin’
All Right Now
We Will Rock You
We Are the Champions

 

2015

Texto por Rakky Curvelo e Eduardo Nogueira

 

Queen-+-Adam-Lambert-620x400Depois de muitos anos, o Queen retornou aos palcos brasileiros na noite dessa quarta-feira (16), com um show que levou o público do Ginásio do Ibirapuera ao delírio. Esse foi o primeiro show deles por aqui, antes da tão aguardada apresentação dos caras no Rock In Rio nessa sexta-feira (18), junto com o cantor Adam Lambert.

Assim como em seu último show, ocorrido em Fevereiro desse ano, o espetáculo deu início ao som de “One Vision”, onde se alguém tinha algum receio do desempenho do ex participante do American Idol (não são poucos), isso foi embora quando ele cantou a primeira música.

“…só existe um, o único, o incrível e o insubstituível Freddie Mercury”

O artista subiu ao palco em grande estilo e com bastante naturalidade, parecendo já ser membro da banda há anos. Era notório o quanto ele esteve mais à vontade na terceira faixa, ao cantar “Another One Bites The Dust”, momento em que o eufórico público começou a ficar bem mais solto também, e foi assim até o clássico “I Want to Break Free”, em que ele parou para sua primeira conversa com o público, ganhando a simpatia até dos mais resistentes com as palavras: “Quem merda sou eu? O que eu estou fazendo aqui? Me sinto muito honrado de estar nesse lugar tocando com esses músicos incríveis, mas só existe um, o único, o incrível e o insubstituível Freddie Mercury”.

Se Adam esbanjava irreverência, voz contagiante e interações com o público, os músicos da formação original da banda, Brian May e Roger Taylor, sabiam que a festa era deles.

Completamente à vontade com o público brasileiro, May fez brincadeiras em diversos momentos, falou em bom português, cantou, pulou, dançou e até fez uma selfie com a galera (veja no final do post o vídeo que ele fez deste momento). Tudo isso é claro, sem largar mão de grandes solos que reafirmavam quem mandava no local. Em dado momento do show, ele até brincou com sua segunda profissão (ele é astrofísico), chamando músicos convidados ao palco para “cantar músicas sobre as estrelas”.

Enquanto isso, Taylor também deu suas mostras de talento e de originalidade em um duelo de bateria com seu filho Rufus, músico convidado que tocou em algumas músicas do show. Sem a mesma energia de May, porém extremamente carismático, Taylor fez bonito na apresentação, com “These Are the Days of Our Lives”, assim como May já havia feito, com a também clássica “Love of My Life”, que arrancou lágrimas de quase 100% do Ginásio do Ibirapuera.

A simpatia dos músicos por Adam acabou conquistando o público e até empolgando a galera na apresentação de uma música da carreira do cantor. “Ghost Town” pegou a todos de surpresa, foi tocada pela primeira vez com a banda, mas foi bem recebida, assim como Lambert, que encerrou a apresentação com uma bandeira do Brasil nas costas e uma coroa na cabeça, cantando a memorável “We Are The Champions”. Antes desta porém, “Bohemian Rhapsody” ganhou corpo e até a “participação especial” do próprio Freddie Mercury, em vídeo, outro momento que emocionou os presentes.

O público exigente que esgotou os ingressos da apresentação foi um bom treino para a banda e para os integrantes remanescentes do Queen, que ainda se apresentam no Rock in Rio.

Setlist:

1. “One Vision””

2. “Stone Cold Crazy””

3. “Another One Bites The Dust”

4. “Fat Bottomed Girls”

5. “Lap Of The Gods”

6. “Seven Seas Of Rhye”

7. “Killer Queen”

8. “Don’t Stop Me Now”

9. “I Want to Break Free”

10. “Somebody to Love”

11. “Love Of My Life”

12. “39”

13. “These Are The Days Of Our Lives”

Bass Solo / Drum Battle

14. “Under Pressure”

15. “Save Me”

16. “Ghost Town”

17. “Who Wants To Live Forever”

Guitar Solo

18. “Tie Your Mother Down”

19. “I Want It All”

20. “Radio Gaga”

20. “Crazy Little Thing Called Love”

21. “Show Must Go On”

22. “Bohemian Rhapsody”

23. “We Will Rock You”

24. “We Are The Champions”